O Bairro da Juventude atende diariamente 1,6 mil alunos em tempo integral, de bebês acolhidos no berçário até jovens com até 21 anos, muitos vindos de famílias em condições de vulnerabilidade social, de diversos bairros do município. “Somos uma ONG apontada como referência no Brasil, viabilizada por muitas parcerias, que atende crianças e jovens em tempo integral, com atividades em turnos de manhã, tarde e noite”, explica o coordenador Márcio Cichella de Souza.
A exposição reflete o senso crítico desenvolvido por jovens que frequentam cursos de eletroeletrônica e de programação da tradicional instituição localizada no Bairro Pinheirinho. A curadoria é do professor Macsuel de Bona, ele mesmo ex-aluno do curso técnico de eletricista, graduado em história e arquitetura e urbanismo, responsável pela disciplina complementar de criatividade e sustentabilidade.
“O projeto permite uma abordagem artística e crítica sobre problemas contemporâneos, como o descarte de resíduos eletrônicos e os impactos causados por guerras e conflitos em várias partes do planeta, com a proposta de ser um manifesto humanizado sobre as vítimas desses processos”, explica o orientador.
Os trabalhos apresentados foram elaborados a partir de componentes que ganham novos significados por meio da criatividade e do olhar dos estudantes. A exposição remete ao impacto do consumo na era digital e às consequências dos conflitos contemporâneos para a desumanização e degradação ambiental.
As obras foram produzidas a partir da reutilização de componentes eletrônicos que seriam descartados. Os alunos aproveitam placas, fios, teclados e outras peças obsoletas em manifestações visuais. O projeto une arte, tecnologia e sustentabilidade, utilizando elementos do cotidiano digital para abordar temas contemporâneos e estimular o pensamento crítico.
Nikison Silvério Luiz, 17 anos, e Emanuely Cristiny Francioni, 16 anos, participaram da elaboração de três peças. “O Alvo” reflete a conflitos no continente africano, “Jogo de Tabuleiro”, ao jogo de interesses econômicos, e “Obrigado por Morrer” representa as condecorações recebidas por famílias de mortos em guerras.