O bebê de cinco meses levado sem vida à Unidade de Pronto Atendimento (UPA), na região do distrito de Rio Maina, em Criciúma, apresentava uma lesão na região anal, descrita pela médica como laceração. A informação consta no boletim de ocorrência da Polícia Militar e acrescenta um novo detalhe à apuração da morte, registrada na segunda-feira (31). A origem do ferimento e a causa do óbito ainda precisam ser esclarecidas pela perícia.
Segundo o relato da profissional aos policiais, a criança apresentava rigidez corporal e possivelmente estava morta havia algumas horas. A médica também informou que os pais deram versões divergentes sobre os acontecimentos, o que motivou o acionamento da PM.
A mãe contou que amamentou o bebê por volta das 3h40, quando ele teria se engasgado. Ela afirmou que realizou manobras de reanimação e que a criança voltou ao estado normal. Depois, permaneceu dormindo no sofá, enquanto o filho ficou em outro quarto.
Ainda conforme a versão da mulher, por volta das 9h o companheiro informou que o bebê estava com vômito e sem sinais vitais. Os dois teriam tentado reanimá-lo antes de procurar atendimento.
O pai relatou que chegou do trabalho por volta das 6h30 e que o filho estava bem. Após dormir por aproximadamente duas horas, teria encontrado a criança pálida, com vômito e sem sinais vitais. A médica, no entanto, informou à polícia que não identificou sinais de vômito durante o atendimento.
Enquanto o casal permanecia na UPA, outro filho da mulher, de quatro anos, ficou sozinho dentro do veículo por aproximadamente duas horas. Conforme os relatos de enfermeiras e conselheiras tutelares registrados no boletim, o menino estava sem a supervisão dos responsáveis. O padrasto confirmou aos policiais que havia deixado a criança no carro.
O Conselho Tutelar acompanhou a ocorrência, entrou em contato com familiares e entregou o menino aos cuidados da avó materna.
O registro policial também menciona a morte de outro bebê da família, de sete meses, em 2025. A ocorrência anterior foi registrada como morte acidental. As circunstâncias dos dois episódios precisam ser esclarecidas, sem conclusão sobre eventual responsabilidade dos pais pelas mortes.
Durante a abordagem, a PM encontrou com o pai uma porção de substância semelhante à maconha e aproximadamente R$ 2.999 em dinheiro. Ele declarou ser usuário e afirmou que a droga era destinada ao consumo próprio.
A mãe e o companheiro receberam voz de prisão por suspeita de abandono de incapaz, em razão da situação do menino deixado sozinho no veículo, e foram conduzidos à Central de Polícia. O corpo do bebê foi recolhido pelo Instituto Médico-Legal (IML) para os exames que deverão esclarecer a causa da morte.
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